A Nossa Jornada Tecnológica em 2024

Quando a mudança se torna uma oportunidade

Walter Gandarella • 02 de janeiro de 2025

2024 foi aquele ano que começou com aquela sensação de «vamos agitar as coisas por aqui». E olha, agitamos mesmo! Logo em janeiro, enfrentámos um duplo desafio: dar continuidade ao desenvolvimento de um sistema de consultas de psicologia online para um cliente utilizando uma stack completamente nova para nós e, de caminho, montar o nosso próprio sistema de videoconferência.

Depois de anos a navegar nas águas familiares do Angular, decidimos dar um salto ao mundo do Vue.js com o Nuxt. Foi como trocar de carro em andamento - sabes conduzir, mas todos os botões estão em sítios diferentes. E como se esta aventura não bastasse, ainda pensámos que poderíamos criar o nosso próprio sistema de videochamadas, independente de serviços proprietários e sem restrições de utilização.

Foi aí que conhecemos o Jitsi, um amigo open source que tinha tudo o que precisávamos para a tarefa. Montámos um servidor dedicado na Google Cloud e, tchan-tchan... criámos o nosso próprio cantinho de videoconferências! O mais giro? Ficou tão bom que acabámos por abandonar o Google Meet até nas nossas calls internas.

O que é giro é que, mesmo com toda a alteração, mantivemos o competente Firebase como parceiro para base de dados, serveless functions e hosting. Os primeiros três meses foram intensos, aquele momento «café + tutorial + mais café» para apanhar o jeito ao Vue.js e depois mergulhar no Nuxt. A mudança trouxe os seus desafios - afinal, passar dos serviços do Angular para a forma como o Vue lida com o estado é que nem aprender a escrever com a outra mão. Mas pronto, pelo menos continuávamos no universo JavaScript, por isso não era tudo assim tão estranho para nós!

Uma das maiores vitórias desta mudança foi finalmente conseguir fazer com que o SSR (Server-Side Rendering) funcionasse da forma que pretendíamos. Com o Angular, era uma história complicada, mas com o Vue/Nuxt? Foi do género descobrir que existe um caminho mais curto para o trabalho e que fazia muito mais sentido. Em junho, já tínhamos a versão beta a correr para o cliente, e o resultado foi tão bom que decidimos: «é isto, vamos migrar tudo!», e começámos a planear a migração gradual de todos os módulos do nosso ecossistema para Nuxt.

Plot Twist: O Angular contra-ataca!

Mas depois, mesmo a meio do ano, aconteceu algo que ninguém esperava - nós meio que redescobimos o Angular! Tudo começou quando surgiu a missão de dar um upgrade ao nosso módulo mais antigo e mais saudoso: o Catálogo digital para grandes superfícies e retalhistas. Era como um carro antigo na garagem que toda a gente adora, mas está a precisar de uma renovação geral.

Como ainda estávamos naquela fase de «namoro» com o Vue e o Nuxt, decidimos manter este projecto específico no Angular. E foi aí que a magia aconteceu! Ao fazer os updates necessários, descobrimos que o Angular tinha evoluído mais do que imaginávamos - parecia que tínhamos reencontrado um amigo de infância que se tornou mega fitness! O projeto ficou tão incrível que nos fez repensar toda aquela história do «vamos migrar tudo para o Vue/Nuxt».

Foi aí que a ficha caiu: porque não usar o melhor dos dois mundos? A ideia do Micro Front-ends assentou que nem uma luva - podíamos manter o que estava a funcionar bem em Angular e ainda assim desenvolver novas funcionalidades em Vue/Nuxt. O resultado? Uma segunda versão do catálogo digital que ficou impecável, a correr lado a lado com os novos desenvolvimentos em Vue. Quem diria que o nosso ex-framework ainda tinha tanto potencial?

Um blog para chamar de nosso

Sabe aquela sensação de ter mil histórias giras para contar e nenhum lugar para partilhar? Em Julho, decidimos resolver isto de uma forma muito simples: criámos o nosso próprio blog de desenvolvimento, este mesmo! É como se fosse o nosso diário de bordo, só que muito mais nerd e recheado de código. (˶˃ ᵕ ˂˶)

A ideia surgiu meio naturalmente. Estávamos ali, todos os dias a descobrir coisas novas, a dar voltas à cabeça com desafios diferentes, a aprender horrores sobre AI e novas tecnologias... e pensámos: «Ê, pá, isto dava um blog e tanto!». E não é que deu mesmo?

Desde então, temos mantido o nosso cantinho virtual bem movimentado, partilhando um pouco de tudo: as novidades mais quentes do mundo da tecnologia e da AI, aqueles problemas do dia-a-dia de dev (toda a gente tem, certo?), as nossas pequenas e grandes vitórias , e claro, algum código e boas práticas. É tipo um café com código, percebes? Só que em formato de blog, daí o nome escolhido: DevCafé.

E isso acabou por se tornar um super estímulo para a equipa. Agora, para além de developers, somos uma espécie de «influencers tech» (ok, talvez tenha exagerado um bocadinho). Mas falando a sério, escrever para o blog tem-nos feito aprofundar ainda mais os assuntos. Afinal, uma coisa é tu saberes fazer algo, outra bem diferente é explicares aquilo de uma forma que todos entendam!

E sabe qual foi o bónus inesperado? O blog acabou por posicionar a Yes Marketing como uma referência tech no mercado. Quem diria que as nossas histórias de código, café e debug teriam tanto sucesso?

Realidade Aumentada: Quando o virtual encontra o café

Maio trouxe um novo desafio para a nossa equipa: implementar a realidade aumentada no nosso Catálogo digital. A ideia era permitir aos clientes visualizar como ficariam as esplanadas e o mobiliário de café nos seus espaços reais. Começámos pelo Model Viewer da Google, mas limitava demasiado as nossas possibilidades.

Segunda tentativa? Babylon.js. Parecia perfeito! Mais recursos, mais flexibilidade... até percebermos que o cliente queria poder gravar vídeos panorâmicos das cenas criadas. Foi aquele momento «volta tudo ao início». E foi aí que a magia aconteceu: a nossa equipa de design tinha um ás na manga!

Descobrimos que na equipa de design tínhamos um verdadeiro mestre do Unity, daqueles que respira e sonha com a ferramenta. O mesmo génio que já vinha a fazer uns jogos incríveis para o nosso módulo de Gamification. Quando lhe falámos do projeto, os olhos brilharam logo (e mesmo que não tivesse)! Foi como encontrar a peça que faltava no puzzle.

A colaboração foi daquelas de fazer inveja. Enquanto o nosso designer-ninja do Unity fazia as suas magias com a ferramenta, criando uma experiência visual absurda, a nossa equipa de dev entrou como suporte técnico de peso. Trabalhámos em conjunto para transformar aquilo numa aplicação nativa para Android e iOS, mas com uma diferença: em vez de ser uma app standalone, fizemos com que funcionasse como um plugin integrado no nosso sistema web através de deep links. Quando o utilizador clica para ver um produto em AR no nosso catálogo - puf! - a experiência em Unity abre como se fosse parte natural do fluxo.

Para evitar aquele vai-e-volta aborrecido entre aplicações, ainda implementámos uma mini galeria dentro do próprio plugin. Assim, depois de entrar na experiência de AR, pode continuar a adicionar outros produtos sem ter de voltar ao catálogo web. É aquela coisa: quando o design e o desenvolvimento se juntam, a magia acontece!

E o que resultou? Um sistema que permite posicionar vários objetos ao mesmo tempo, redimensionar, reposicionar e ainda gravar vídeos mostrando toda a composição. O cliente ficou tão contente que aprovou o projeto praticamente na hora. E nós? Bem, para além de um produto incrível, ganhámos um novo super-poder: agora dominamos não só o Unity (graças ao nosso colega designer), mas também todo o processo de desenvolvimento nativo em Android com Java/Kotlin. Quem diria que uma parceria entre design e dev poderia dar tantos frutos?

A equipa cresce e a AI entra em cena

Com tantos projetos novos e a crescente procura por integração com AI, estava na altura de expandir a equipa. Demos as boas-vindas a dois novos developers que trouxeram aquela energia fresca e ideias inovadoras para os nossos produtos. E por falar em AI, 2024 foi o ano em que decidimos abraçar esta tecnologia de vez. Inclusive, muito dos posts aqui do blog têm o foco na AI por fazerem parte da nossa aprendizagem.

A partir de julho, adotamos uma abordagem multi-ferramentas para AI: ChatGPT da OpenAI, Claude da Anthropic, e Gemini da Google. O Gemini tem sido especialmente interessante pela sua integração natural com a nossa stack Firebase através do GenKit. Em outubro, descobrimos o Codeium com o seu LLM Cascade, que é como ter um developer extra que já conhece todo o nosso código e padrões.

Mas não ficamos por aqui! Em outubro, começámos a integrar a AI diretamente nos nossos produtos: dashboards inteligentes, métricas automatizadas, reconhecimento de padrões em imagens... E há mais a chegar: Estamos a desenvolver um sistema de treino de imagens para validação de pontos de venda que deverá ficar pronto no primeiro semestre de 2025.

No final do ano, começámos a experimentar o Windsurf (um IDE baseado em VSCode com o poder do Cascade bor baixo) em projetos mais pequenos. É impressionante como consegue partir de um briefing e gerar toda a estrutura inicial do projeto. Poupamos semanas de desenvolvimento inicial e podemos focar-nos no que realmente importa: as regras de negócio e a entrega de valor ao cliente.

Olhando para 2025, a nossa missão ganhou ainda mais clareza: vamos continuar a evoluir a nossa arquitetura de Micro Front-ends, mantendo o melhor de cada framework - seja Angular ou Vue/Nuxt. Queremos aprofundar ainda mais as nossas integrações com AI, especialmente em métricas e assistentes para marketing, mantendo sempre aquele equilíbrio perfeito entre inovação e estabilidade. Tem sido uma viagem e tanto, cheia de surpresas (algumas muito agradáveis, como a nossa redescoberta do Angular!), desafios ultrapassados ​​e muito café. Mas principalmente, tem sido gratificante ver como cada mudança e nova tecnologia que abraçamos se tem traduzido em valor real para os nossos clientes e crescimento para a nossa equipa.

A tecnologia não para de evoluir, e nós na Yes Marketing também não. Estamos entusiasmados para ver o que 2025 trará e prontos para continuar a inovar, aprender e crescer juntos. Aprendemos que no mundo do desenvolvimento, por vezes, o caminho mais interessante não é necessariamente migrar tudo para o novo, mas sim encontrar aquele equilíbrio perfeito entre o que já funciona bem e as novidades que vêm aí.


Últimos artigos relacionados