Os avanços da PWA

Do sonho Cross-Platform à realidade

Walter Gandarella • 21 de abril de 2025

Lembra-se dos PWAs (Progressive Web Apps)? Aquela promessa lá de 2016 de que já não teríamos de instalar zilhões de apps no telemóvel? Pois é, já passaram quase 10 anos e muita coisa mudou neste panorama. Vamos dar uma vista de olhos ao que aconteceu com esta tecnologia e onde está a ser realmente útil em 2025.

PWAs na vida real: Onde os encontramos?

Antes de mais, vamos falar de algumas apps do dia a dia que utilizam PWA. A Starbucks, por exemplo, é um caso clássico que continua firme e forte com a sua versão PWA. Temos ainda o Spotify e a Uber, que oferecem versões PWA em paralelo com as suas apps nativas.

Um caso muito interessante é o WhatsApp Web, que utiliza vários service workers nos bastidores para fazer a magia acontecer. E olhem, nem tem aquela tradicional cara de «app instalada», mas entrega tudo o que precisamos.

E sabem onde é que os PWAs têm brilhado verdadeiramente? No mundo cripto! (Calma, não vou fazer aqui publicidade a nenhuma moeda). É surreal ver a qualidade dos componentes, das integrações e como aproveitam as capacidades mais modernas do browser para permitir transações e integrações com carteiras digitais.

O que mudou na realidade?

Aquela ideia inicial de 2014, de que já não precisaria de instalar apps... bem, não foi propriamente por aí que as coisas andaram. O PWA transformou-se em algo diferente: um conjunto de capacidades que a web tem hoje e que ajuda a resolver vários cenários, diminuindo (mas não eliminando) a necessidade de apps nativas.

Novos superpoderes dos PWAs

Querem ver algumas coisas giras que os PWAs conseguem fazer agora?

  • Badge API: Aquele pequeno ícone de notificação que todos adoram
  • Bluetooth e NFC: Sim, agora já dá para brincar com hardware!
  • Gadgets no ecrã de bloqueio (pelo menos no Android, certo... a Apple sempre mais cautelosa)
  • Reconhecimento de voz
  • Acesso ao sistema de ficheiros (mais uma vez, depende do sistema operativo)
  • Câmara e áudio (embora com algumas limitações em comparação com as apps nativas)

Já agora, se quiser explorar todas as possibilidades, dê uma vista de olhos ao site whatpwacando.today. Lá encontra um showroom completo do que é possível fazer com PWAs atualmente.

A vida do dev PWA

Sabe aquela coisa chata de ter de lidar com service workers? Pois é, agora existe o Workbox, uma ferramenta da Google que encapsula toda esta camada de acesso. Com ela, é muito mais fácil pegar numa app Angular, React, Vue ou até Vanilla e transformá-la em algo instalável com poucos passos.

Uma das aplicações mais giras é fazer cache de pedidos HTTP para quando o utilizador tem internet fraca ou sinal fraco. Dá para interceptar chamadas, guardar dados... há muita possibilidade legal.

PWA vs Nativo: Não é bem uma guerra

A real é que o PWA não veio substituir as apps nativas, como se imaginava inicialmente. Na maioria dos casos, acaba por ser uma opção complementar. Isto significa que, em vez de simplificar o desenvolvimento como era a promessa, acabamos por ter mais trabalho: precisamos de manter a app nativa, a PWA e toda a infraestrutura por trás.

Mas calma, não é tudo desvantagem! O PWA pode ser uma excelente estratégia em vários cenários:

Quando vale a pena usar PWA?

MVPs e protótipos rápidos

  • Não necessita de passar pelo processo de publicação em loja
  • Desenvolvimento mais ágil
  • Mais fácil encontrar developers front-end do que mobile

Aplicações simples

  • Apps de centro comercial
  • Sistemas de estacionamento
  • Tudo o que o utilizador usa muito ocasionalmente

Estratégia híbrida

  • PWA para Android (onde funciona muito bem)
  • App nativa para iOS (onde as limitações são maiores)
  • Desenvolvimento paralelo enquanto valida o produto

O lado ruim dos PWAs

Nem tudo são rosas, e é importante falar também dos problemas. Um dos maiores é o abuso das notificações push. Sabe quando pega no telemóvel da sua mãe e tem 500 notificações de sites aleatórios? Pois, este é um dos efeitos colaterais da democratização dos PWAs.

E há aquela história da câmara também. Por mais que tenha acesso à câmara via PWA, a qualidade nunca será a mesma da app nativa. O mesmo acontece com a gravação de áudio e outras características que dependem muito do hardware.

O futuro é promissor

Uma coisa interessante que está a acontecer é a convergência de tecnologias. O Expo (maior framework do React Native) permite agora carregar «HTML Components» - basicamente tens navegação nativa com renderização web. É como se estivéssemos a voltar para o futuro, mas de uma forma mais inteligente.

E sabe o que é mais giro? A maioria das funcionalidades já está a correr cross-browser (ok, talvez não o NFC e algumas coisinhas mais específicas). Mas integrar com a câmara do browser, por exemplo, já é mil vezes melhor do que usar certas bibliotecas nativas.


O PWA em 2025 não é aquele sonho utópico de substituir todas as apps nativas, mas transformou-se numa ferramenta muito útil no arsenal de qualquer empresa tecnológica. Permite validar ideias rapidamente, atender casos de utilização específicos e complementar apps nativas de forma eficiente.

A tecnologia continua a evoluir, e com as novas capacidades do browser e dos frameworks modernos, os PWAs estão mais vivos do que nunca. Só não espere que sejam a solução para todos os seus problemas - use-os com sabedoria, no contexto certo, e podem ser uma excelente alternativa ou complemento à sua estratégia mobile.

Nós aqui na Yes Marketing optamos sempre por uma abordagem PWA antes de avançar para um desenvolvimento nativo, já temos muitas app desenvolvidas que utilizam a estrutura PWA com enorme sucesso. É uma ótima alternativa para clientes que não dispõem de muito investimento para manter uma app web e uma app nativa em paralelo.

E lembre-se: se está a pensar desenvolver um PWA só para poder enviar notificações push aos seus utilizadores... por favor, não o faça. Os seus utilizadores (e a mãe deles) agradecem!


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