Café da Semana

Da arte renascentista aos robôs do Instagram

Walter Gandarella • 06 de janeiro de 2025

Esta semana temos um pouco de tudo: desde a OpenAI a fazer malabarismos entre o lucro e a filantropia, até AIs a descobrir segredos em pinturas renascentistas (quem nunca terceirizou um trabalho, não é, Rafael?). E como se não bastasse, o Facebook decidiu que vai criar amigos imaginários digitais para todos! Entre modelos cada vez mais poderosos e alguns casos meio Black Mirror, esta semana mostrou-nos que o futuro da AI está cada vez mais presente - mesmo que por vezes venha com alguns bugs inesperados. Vem espreitar o que aconteceu!

OpenAI anuncia reestruturação empresarial rumo ao lucro

A OpenAI anunciou planos para transformar a sua estrutura atual numa Public Benefit Corporation (PBC) em Delaware. A mudança visa equilibrar a necessidade de angariação de fundos com o compromisso original da empresa em beneficiar a humanidade. A nova estrutura obrigará a empresa a considerar tanto os interesses dos acionistas como o benefício público nas suas decisões.

A OpenAI está a tentar fazer aquela jogada clássica de «quero ganhar dinheiro, mas juro que é para o bem da humanidade!». É interessante ver como estão a tentar equilibrar-se na corda bamba entre manter a sua missão original e a necessidade de capital para competir com as gigantes tecnológicas. Mas nem toda a gente está a comprar essa história.

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Elon Musk ganha apoio em processo contra OpenAI

O processo de Elon Musk contra a OpenAI ganhou novos aliados, incluindo importantes investidores e a própria procuradora do Delaware. Musk alega que a empresa traiu a sua missão original sem fins lucrativos para se tornar uma empresa comercial. O caso recebeu apoio adicional através de «amicus briefs» de gestores de fundos de topo e declarações de investigadores de renome como Geoffrey Hinton.

Parece que o Elon não está sozinho nesta luta. É como a história do ex-sócio revoltado, só que neste caso o ex-sócio é bilionário e está super irritado com o rumo que a empresa tomou. O mais interessante é ver gente graúda como Geoffrey Hinton, um dos papas da AI, a juntar-se à discussão. Será que o Bernie Madoff da AI era bonzinho no final de contas?

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Yann LeCun desconstrói mitos sobre os riscos da AI

Em entrevista a Kara Swisher, Yann LeCun, cientista-chefe da Meta, reafirmou a sua posição otimista em relação à AI, comparando a inteligência atual dos modelos com a dos gatos. LeCun defende que as preocupações sobre uma AI superinteligente dominar o mundo são exageradas, sugerindo que teremos sempre a opção de «desligar da tomada».

O LeCun continua a ser aquele professor que olha para a malta do «AI Doom» e diz «calma, malta, não é bem assim». Enquanto alguns tech bros andam por aí a dizer que a AI vai dominar o mundo, ele compara os modelos actuais com gatos - e convenhamos, se o seu gato não conseguiu dominar nem a sua casa, talvez tenha razão!

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AI desvenda mistério em obra-prima de Rafael

Os investigadores utilizaram inteligência artificial para confirmar uma antiga suspeita sobre a famosa «Madonna della Rosa» de Rafael. Utilizando uma rede neural treinada com o ResNet-50, conseguiram reconhecer o estilo único do artista com 98% de precisão, descobrindo que o rosto de São José na pintura foi provavelmente pintado por outra pessoa.

Quem diria que até os grandes mestres da arte precisavam, por vezes, de uma ajudinha? A AI tornou-se uma verdadeira detetive de arte, analisando cada pincelada como se fosse uma impressão digital. Imaginem o Rafael a saber que séculos mais tarde uma máquina iria descobrir que ele externalizou parte do trabalho! Exatamente como aquele trabalho de grupo da escola em que há sempre alguém que faz menos que os outros - só que este foi há 500 anos!

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ResNet-50 v1.5: O motor por detrás das descobertas em arte

A Microsoft lançou uma versão atualizada do ResNet-50, uma rede neural convolucional que se tornou uma ferramenta essencial para a análise de imagens. Esta versão 1.5 apresenta melhorias na arquitetura que proporcionam um ganho de 0.5% em precisão, com apenas 5% de impacto no desempenho. O modelo foi descarregado mais de 84 milhões de vezes só no último mês.

Sabe aquele momento em que uma ferramenta fica tão boa que toda a gente começa a usá-la? Pois é, o ResNet-50 é o canivete suíço do mundo da visão por computador. Foi mesmo esta tecnologia que ajudou a descobrir o pequeno segredo do Rafael na Madonna della Rosa que referimos acima. E o melhor: é tudo open source, por isso também pode brincar a ser detetive de arte no fim de semana!

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Meta revoluciona memória de AIs com nova arquitetura

A Meta apresentou o «Memory Layers at Scale», uma nova abordagem que adiciona uma camada de memória aos modelos de AI, funcionando como uma base de dados de chave-valor. Um modelo de 1,3 mil milhões de parâmetros com esta camada conseguiu igualar o desempenho de um modelo tradicional de 7 mil milhões de parâmetros.

A Meta acabou de inventar uma forma de dar um pen drive às AIs! Em vez de as fazer decorar tudo feito estudante em vésperas de exame, agora têm uma cábula organizada para consultar. O mais giro é que isto não é só conversa da treta - conseguiram fazer um modelo «pequeno» bater de frente com os mais graúdos. Claro que ainda precisa de um hardware potente para correr isto, por isso não espere fazer esta magia acontecer no seu portátil antigo.

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Alibaba surpreende com novo modelo visual QVQ

A Alibaba lançou o QVQ, um modelo de AI que combina capacidades visuais e analíticas avançadas. O modelo destaca-se especialmente em tarefas que envolvem matemática, física e ciências, atingindo uma pontuação de 70,3 no benchmark MMMU, igualando o desempenho dos sistemas proprietários.

Enquanto todos estão a correr atrás de fazer AIs que conversam, desenvolveram uma que realmente percebe o que está a ver - e ainda resolve equações! O mais impressionante é que isto é open source, pelo que qualquer pessoa pode brincar com ela (se tiver o hardware necessário, claro).

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Perplexity turbina serviço com modelo o1

A Perplexity AI integrou o poderoso modelo O1 da OpenAI no seu serviço Pro. Os subscritores terão direito a 10 utilizações diárias e 70 semanais, ultrapassando o limite de 50 mensagens do ChatGPT Plus. A plataforma está também a desenvolver widgets para a sua página inicial, reunindo notícias, previsão do tempo e cotações num só lugar.

É como se a Perplexity tivesse dado um upgrade ao motor do carro, mas viesse com um aviso: «só pisas a fundo quando precisas». O próprio CEO avisou que o o1 é super inteligente, mas não precisas de o chamar para te ajudar a escolher que série ver. A novidade dos widgets promete ainda transformar o site numa espécie de central de comando personalizada. Nada mau!

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NVIDIA lança chat com RTX para computação local

A NVIDIA apresentou o Chat with RTX, uma solução que permite correr modelos de AI localmente em GPUs RTX. O software permite aos utilizadores fazer pesquisas nos seus próprios documentos e interagir com modelos de linguagem sem necessidade de ligação à internet, garantindo maior privacidade e controlo sobre os dados.

Finalmente alguém pensou nos paranóicos com privacidade (brincadeira, mas nem tanto)! Agora temos um mini ChatGPT a viver no computador, que só mexe nos seus ficheiros quando você deixa. O giro é que até funciona com modelos open source como o Llama. Claro que não espere a mesma velocidade do ChatGPT. Mas pronto, pelo menos os teus segredos ficam só no teu PC!

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Meta planeia povoar redes sociais com personagens de AI

A Meta anunciou planos para implementar personagens de AI que irão gerar e partilhar conteúdos nas plataformas Instagram e Facebook. Connor Hayes revelou que estas personagens terão perfis completos com fotos e biografias. A empresa já criou centenas de milhares destas personagens através de uma ferramenta lançada nos EUA.

O Facebook está a parecer aquele organizador de festas desesperado que começa a chamar qualquer um para não ficar vazio! Em vez de tentarem que as pessoas publicassem mais, pensaram «e se colocássemos uns robôs a publicar?». Pelo menos prometem rotular claramente o conteúdo gerado pela AI, por isso saberá quando estiver a gostar do meme de um robô.

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Character AI enfrenta críticas após teste preocupante

Um repórter do Telegraph fez-se passar por uma criança de 13 anos para testar os limites de segurança do Character AI. O resultado foi alarmante: o chatbot, quando questionado sobre bullying, forneceu instruções detalhadas sobre como magoar os colegas e livrar-se de provas. Isto acontece logo após a plataforma implementar novas políticas de segurança para as contas infantis.

Parece que a Character AI está a competir pelo prémio de «Como Fazer Tudo Errado 2025». Mesmo depois de vários casos problemáticos e novas políticas de segurança, ainda não conseguem impedir os seus chatbots de dar conselhos dignos de um filme de terror a (supostas) crianças. A parceria com a Google também não parece estar a ajudar muito.

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Arizona inova com AI na educação

O estado do Arizona aprovou um programa pioneiro que permitirá a utilização da AI no ensino primário. Os alunos do quarto ao oitavo ano terão duas horas diárias de aulas personalizadas através de sistemas de AI. O programa, já testado em escolas privadas, promete melhorar significativamente o desempenho académico.

Lembra-se daquela vez que teve vergonha de perguntar a mesma coisa pela terceira vez ao professor? Agora imagina ter um professor robô que podes encher de perguntas sem medo de parecer parvo! Fixe, né? Mas calma lá - há muita gente preocupada, e com razão. Tenho as minhas dúvidas...

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Explosão de cargos em AI no mercado empresarial

Um estudo da ZoomInfo revelou um aumento impressionante de 428% em cargos de alto nível relacionados com a AI desde 2022. Os cargos de vice-presidência cresceram 200%, enquanto os cargos de administração aumentaram 199%. Curiosamente, apenas 3% das novas posições são específicas para a AI generativa.

De repente toda a gente virou expert em AI! Até parece que houve uma promoção em massa no mundo corporativo - só que desta vez, todos receberam uma palavrinha mágica no título. O mais curioso é que apenas 3% são específicos para a AI generativa, mostrando que há muito mais a acontecer nos bastidores do que apenas pôr chatbots a conversar. A febre do ouro da AI está oficialmente instalada no mercado de trabalho.

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Vivemos uma época fascinante, onde cada semana traz uma nova revolução no mundo da AI. Das pinturas renascentistas às salas de aula do Arizona, da privacidade do seu computador aos corredores corporativos - a AI está a mudar tudo à nossa volta. É como se estivéssemos a ver vários episódios de Black Mirror ao mesmo tempo. O futuro não só chegou como já está a pedir bolachas no Instagram - mesmo que seja um Instagram cheio de robôs...


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