Café da Semana

A Semana em Tech: Da Realidade Virtual às abelhas reais

Walter Gandarella • 09 de novembro de 2024

Foi uma semana e tanto no mundo da tecnologia! Desde as profundezas dos laboratórios de investigação até aos nossos queridos editores de texto, a AI continua a sua marcha implacável de transformação do panorama tecnológico. Vamos mergulhar nas histórias mais interessantes que captam perfeitamente o espírito da nossa era tecnológica - onde a realidade e a virtualidade se misturam de formas cada vez mais surpreendentes.

O GitHub conta-nos uma história fascinante

O relatório Octoverse 2024 do GitHub trouxe-nos algumas revelações surpreendentes sobre o estado atual do desenvolvimento de software. Pela primeira vez na história, o Python destronou o JavaScript como a linguagem mais utilizada na plataforma - um marco que reflete na perfeição o momento que vivemos, onde a ciência de dados e a AI dominam as conversas tech. A utilização de Jupyter Notebooks disparou 92%, enquanto a comunidade global de programadores continua a crescer a um ritmo acelerado, especialmente em regiões como África, América Latina e Ásia.

O que mais me impressiona nestes dados é ver como a AI está a democratizar o desenvolvimento de software. Não se trata apenas de mais pessoas a codar - trata-se de uma mudança fundamental no perfil de quem está a criar tecnologia. Quando vemos que a Índia está a caminho de ter a maior população de programadores do GitHub até 2028, torna-se claro que estamos a assistir a uma verdadeira revolução global no desenvolvimento de software.

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Minecraft recriado por AI: O futuro dos jogos?

A Decart e a Etched anunciaram o Oasis, um projeto que conseguiu recriar uma experiência semelhante ao Minecraft utilizando apenas AI, sem um motor de jogo tradicional. O modelo consegue gerar frames em tempo real a 20 FPS, respondendo a entradas do teclado para permitir que os jogadores se movam, saltem, partam blocos e interajam com o ambiente - tudo gerado por um modelo de AI em tempo real.

Isto é simplesmente alucinante! Estamos a falar de um marco significativo na interseção entre a AI e os jogos. Ao contrário de outros modelos de texto-para-vídeo que podem demorar 10-20 segundos a gerar um segundo de vídeo, o Oasis fá-lo em tempo real. É como se tivéssemos dado um salto quântico na capacidade de gerar conteúdo interativo. Imaginem as possibilidades: jogos completamente gerados por AI, mundos virtuais que se adaptam em tempo real às suas ações, experiências únicas para cada jogador. Dói-me o coração saber que ainda não tenho uma aplicação para isto aqui na Yes, mas não vou desistir tão facilmente!

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X-Portrait 2: Dar vida às imagens estáticas

A ByteDance e a Universidade de Tsinghua apresentaram o X-Portrait 2, uma evolução significativa na tecnologia de animação de retratos. O sistema consegue captar uma única imagem estática e um vídeo de referência para criar animações incrivelmente expressivas, captando até as expressões faciais mais subtis.

Esta tecnologia deixa-me com sentimentos contraditórios - por um lado, é absolutamente impressionante ver como conseguem captar e transferir expressões tão subtis e naturais. É o tipo de avanço que pode revolucionar a indústria da animação e do entretenimento, tornando a criação de conteúdos muito mais acessível. Por outro lado, com o avanço das deepfakes, isto também levanta questões importantes sobre a autenticidade e o consentimento no mundo digital.

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Anthropic alia-se à Palantir e à AWS para projetos de defesa

Numa movimentação significativa no mercado da AI, a Anthropic anunciou uma parceria com a Palantir e a AWS para fornecer acesso aos modelos Claude às agências de inteligência e defesa dos EUA. A colaboração permite que o Claude seja utilizado no ambiente de defesa certificado IL6 da Palantir, que está reservado para sistemas que contenham dados críticos para a segurança nacional.

É o diferencial da Anthropic, que sempre se posicionou como uma empresa focada na AI segura e ética. Por um lado, as suas restrições de utilização parecem bem pensadas, proibindo explicitamente utilizações para desinformação, vigilância doméstica e operações cibernéticas maliciosas. Por outro lado, este movimento reflete uma maior tendência no setor da AI, onde as empresas se aproximam cada vez mais do setor da defesa. É um equilíbrio delicado entre o desenvolvimento tecnológico e a responsabilidade ética.

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Meta abre Llama a aplicações de segurança nacional

Seguindo uma tendência semelhante, a Meta anunciou que está a disponibilizar os seus modelos Llama às agências governamentais americanas e aos empreiteiros na área da segurança nacional. A empresa está a fazer parcerias com grandes nomes como a AWS, Lockheed Martin e Palantir para levar o Llama às agências governamentais.

A decisão da Meta é engraçada tendo em conta o contexto: recentemente, descobriu-se que investigadores chineses ligados ao exército utilizaram o Llama 2 para desenvolver ferramentas de defesa. Parece que a Meta está a tentar equilibrar o seu compromisso com a AI aberta, ao mesmo tempo que responde a preocupações geopolíticas. É uma situação complexa que ilustra na perfeição os desafios de manter as tecnologias "abertas" num mundo cada vez mais polarizado.

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As abelhas que pararam o Zuckerberg

Num plot twist digno de um filme, os planos da Meta para construir um centro de dados alimentado a energia nuclear foram interrompidos por... abelhas raras! O projeto, que seria dedicado a projetos de AI da empresa, esbarrou em questões ambientais quando descobriram espécies raras de abelhas no local planeado para construção.

Esta história é simplesmente deliciosa! Numa altura em que as grandes empresas tecnológicas estão a correr para construir infraestruturas para a AI - incluindo a Microsoft a reativar Three Mile Island - ver um projeto bilionário ser travado por algumas abelhinhas é um adorável lembrete de que a natureza ainda tem as cartas na manga. A ironia de uma empresa que está na vanguarda da realidade virtual ver os seus planos frustrados por algo tão real e tangível como as abelhas não passa despercebida.

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A Microsoft aá um toque de AI ao Notepad

Quem diria que o nosso velho companheiro Notepad, nascido lá em 1983, ganharia super-poderes de AI em 2024? A Microsoft está a adicionar capacidades de edição de texto alimentadas por AI ao Notepad, permitindo aos utilizadores reescrever textos, ajustar o tom e modificar o comprimento do conteúdo com alguns cliques.

Confesso que tenho sentimentos contraditórios em relação a isso. Por um lado, é giro ver uma ferramenta tão básica e fundamental ganhar novos truques. Por outro, será que precisamos mesmo de AI em absolutamente tudo?

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OpenAI aventura-se no mundo do hardware

Numa jogada interessante, a OpenAI contratou Caitlin Kalinowski, ex-líder de hardware da Meta para o projeto Orion, para liderar as suas iniciativas em robótica e hardware de consumo. Kalinowski, que tem um historial impressionante incluindo trabalhos na Apple e na equipa de óculos de RA da Meta, vai agora ajudar a OpenAI a trazer a AI para o mundo físico.

Esta contratação é intrigante quando consideramos os rumores sobre a colaboração da OpenAI com Jony Ive para criar um dispositivo de AI menos "socialmente disruptivo do que o iPhone". Parece que a empresa está a levar muito a sério a ideia de materializar a AI em produtos tangíveis.

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Physical Intelligence: A nova aposta da Bezos e da OpenAI

A Physical Intelligence, uma startup de robótica de São Francisco, acaba de angariar 400 milhões de dólares numa ronda que a avalia em 2,4 mil milhões de dólares. O interessante é ver quem está a apostar nela: Jeff Bezos e a OpenAI estão entre os investidores, juntamente com outros nomes de peso.

O que me chama aqui a atenção é como a avaliação da empresa se multiplicou por seis desde março. É uma aposta elevada numa empresa que promete trazer "AI de propósito geral para o mundo físico". Quando gigantes como a Bezos e a OpenAI apostam tanto em algo deste género, vale a pena ficar de olho.

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Microsoft apresenta o seu sistema Multi-Agente

A Microsoft Research revelou o Magentic-One, um sistema multi-agente concebido para resolver tarefas complexas em diversas áreas. O sistema utiliza uma arquitectura interessante onde um agente "Orchestrator" coordena outros quatro agentes especializados para resolver problemas.

O mais giro deste projeto é ver como a Microsoft está a pensar na AI não como uma entidade única e monolítica, mas como um sistema cooperativo de agentes especializados. É quase como uma micro-sociedade de IAs, cada uma com o seu papel específico. O facto de ser open source é também um grande plus para a comunidade de programadores.

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Mistral AI expande a sua oferta de serviços

A Mistral AI anunciou esta semana duas novidades interessantes: uma API de moderação e uma API em batch (batch). A API de moderação permite detetar conteúdo indesejado em 11 línguas diferentes, incluindo árabe, chinês e russo, enquanto a API em lote oferece um processamento de grande volume por metade do custo das chamadas síncronas normais.

O que me impressiona aqui é ver como a Mistral AI está a nadar contra a corrente. Enquanto vemos várias empresas a aumentar os seus preços de API, a Mistral está a focar-se em tornar a AI mais acessível. É refrescante ver uma empresa a pensar em escalabilidade e custos desde o início, especialmente numa altura em que muitos programadores estão preocupados com os custos crescentes de implementação de AI.

Fonte original Moderação Fonte original Batch

Arte e AI: Um retrato histórico vai a leilão

Num momento fascinante onde a arte e a tecnologia se encontram, a Sotheby's está a leiloar "A.I. God: Portrait of Alan Turing", uma obra criada pela Ai-Da, considerada a primeira artista robô ultra-realista do mundo. A obra, que tem um valor estimado entre 120.000 e 180.000 dólares, é uma homenagem ao pioneiro da computação Alan Turing.

O que torna esta história particularmente interessante é a camada de metalinguagem envolvida: uma AI a criar arte para homenagear o homem que primeiro perguntou "Podem as máquinas pensar?". É como se o futuro que Turing imaginou estivesse a prestar uma homenagem ao seu visionário. Mas ao fim de tudo, o quadro foi vendido por US$ 1.3M !!!

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O panorama atual da tecnologia é verdadeiramente fascinante. Por um lado, temos avanços impressionantes na AI a gerar mundos virtuais em tempo real e a dar vida a imagens estáticas. Do outro, vemos as maiores empresas tecnológicas do mundo a terem de navegar complexas questões geopolíticas e, por vezes, a serem travadas por pequenos insetos. É um lembrete de que, por mais avançada que a nossa tecnologia se torne, ainda vivemos num mundo real, com desafios reais e consequências reais. E talvez seja exactamente este equilíbrio entre o virtual e o real, entre o progresso e a preservação, que definirá o sucesso das tecnologias do futuro.


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